FRAGMENTAR O ESTADO ESQUERDISTA É O ÚNICO CAMINHO
- sryuann
- 28 de dez. de 2025
- 20 min de leitura

Ave, Patriotas! A esquerda aparelhou todas as instituições do Estado ao longo de décadas e hoje controla todo o aparato de poder estatal, como os ministérios, orgãos de cotrole, tribunais, universidades e sindicatos. O tamanho do Estado criado pelos esquerdistas em coluio com os liberais é um monstro muito difícil de combater e vencer. Precisaremos de décadas de lutas para conseguir nosso espaço dentro dessa burocracia. Pensando em como podemos obter resultados plausíveis de curto prazo que não sejam paliativos, mas factuais, concluimos que um caminho possível é uma reforma profunda do Pacto Federativo para dar mais poderes aos estados e municípios, e, por conseguinte, mas poder ao povo, aproximando-nos do ideal de democracia direta e soberania popular.
Concluindo que o Estado brasileiro é ideologicamente hostil, tentar "quebrar/fatiar" ele em instituições autônomas - e até concorrentes - é uma alternativa para adquirir poder nesse aparato, já que tomá-lo nos moldes que a esquerda fez vai levar muito tempo, se possível. Tanto fragmentado em níveis de instituições federais, quanto em distribuição de poder aos entes locais.
Essa análise toca em um debate central da ciência política contemporânea: a ocupação de espaços versus a fragmentação do poder. É uma estratégia de "insulamento" ou descentralização competitiva para quebrar o monolitismo ideológico da esquerda.
Para viabilizar essa ideia de "fatiar" o Estado em instituições autônomas e/ou concorrentes, o caminho passaria por algumas transformações estruturais profundas.
1. Instituições de Controle Externo "Descoladas"
Hoje, órgãos como o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ou o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) são compostos majoritariamente por membros das próprias carreiras que deveriam fiscalizar.
A proposta: Transformar esses conselhos em órgãos de composição externa total ou majoritária, eleitos ou indicados por critérios técnicos fora da "bolha" corporativista.
O efeito: Isso criaria uma "fiscalização concorrente". Se um tribunal atua de forma ideológica, um CNJ verdadeiramente independente e com valores distintos teria o poder de punir ou reverter distorções, sem o filtro da autoproteção da classe.
2. Federalismo de Competição (Descentralização)
Uma forma de combater a captura centralizada é devolver o máximo de poder possível aos estados e municípios.
Como funcionaria: Em vez de leis nacionais uniformes (sobre educação, segurança ou administração pública), cada estado teria autonomia para criar seu próprio ecossistema institucional.
O efeito: Se o MEC (Federal) está capturado, um estado poderia adotar um currículo e um modelo de gestão de professores radicalmente diferente. Isso cria um "mercado de governança": estados com instituições mais eficientes e menos ideológicas atrairiam mais capital e pessoas, forçando os outros a competir.
3. Privatização da Execução e "Vouchers"
A captura ocorre onde o Estado é o único provedor. "Fatiar" aqui significa separar o financiamento da execução.
Educação e Saúde: Em vez de o Estado gerir a escola (onde a ideologia pode ser filtrada na contratação de professores), ele fornece o recurso ao cidadão (voucher).
O efeito: Escolas privadas ou comunitárias passariam a competir pelo aluno. A "instituição" educação deixa de ser um bloco estatal único e se torna uma rede de milhares de instituições independentes e concorrentes entre si.
4. Agências Reguladoras com Mandatos de "Oposição"
Uma ideia mais radical seria a criação de contrapesos institucionais obrigatórios.
Exemplo: Se o Executivo indica o diretor de uma agência, o Legislativo (ou uma coalizão de oposição) teria o direito garantido de indicar um "Auditor-Geral" com poderes de veto ou de transparência total dentro daquela estatal ou órgão.
Desafios e Riscos
Essa estratégia de "quebrar" o Estado enfrenta obstáculos jurídicos e práticos:
Constituição de 1988: O Brasil é um país extremamente centralizado na União. A maioria dessas mudanças exigiria PECs (Propostas de Emenda à Constituição).
Guerra de Atrito: Instituições que se sentem ameaçadas em sua autonomia (como o Judiciário ou o MP) tendem a usar seu próprio poder para declarar tais reformas inconstitucionais.
Feudalismo Político: O risco de "fatiar" o Estado é que, em vez de instituições técnicas e independentes, você acabe criando "feudos" controlados por oligarquias locais.
Resumo da Lógica
A ideia migra o conflito da política (quem ganha a eleição) para a arquitetura do sistema (como o poder é distribuído). Em vez de tentar vencer um jogo onde as regras e os juízes parecem tendenciosos, propomos mudar o tabuleiro para que haja vários jogos simultâneos, onde nenhum grupo consiga controlar todos ao mesmo tempo.
Vamos analisar como "federalismo de competição" funciona em outros países, como nos EUA e Suíça.
Para entender como esse "fatiamento" do Estado funciona na prática, os exemplos dos EUA e da Suíça são fundamentais. Eles utilizam o que chamamos de Federalismo Competitivo, onde o poder não está apenas dividido, mas as unidades (estados ou cantões) competem entre si para oferecer o melhor ambiente institucional, jurídico e econômico.
Aqui está como esses modelos se aplicam à sua lógica de "instituições concorrentes":
1. Estados Unidos: O "Laboratório de Democracias"
Nos EUA, a Constituição enumera os poderes do governo federal; tudo o que não está lá pertence aos estados (10ª Emenda). Isso cria uma fragmentação institucional real:
Sistemas Judiciários Concorrentes: Cada estado tem sua própria Suprema Corte e seu próprio código penal e civil. Se o judiciário da Califórnia é visto como "ativista" ou ideológico, as empresas e indivíduos podem migrar para o Texas, onde a interpretação da lei é mais textualista e conservadora.
Policiamento Descentralizado: Não existe uma "Polícia Civil" ou "Militar" única sob comando centralizado como no Brasil. Existem polícias municipais, condais (Sheriffs eleitos) e estaduais. Isso impede que uma única doutrina ideológica capture todo o aparato de segurança.
Educação Local: O currículo escolar é decidido localmente (distritos escolares). Se um grupo de pais sente que a escola estadual foi "capturada", eles podem votar para mudar o conselho escolar local ou usar sistemas de charter schools (escolas privadas com financiamento público).
2. Suíça: O Federalismo de "Baixo para Cima"
A Suíça é talvez o exemplo mais radical de fatiamento do Estado. O poder emana da comuna (município), passa pelo Cantão (estado) e só então chega à Confederação (federal).
Soberania Fiscal (Concorrência Tributária): Os cantões competem entre si pelas taxas de impostos. Se um cantão aumenta muito os gastos para financiar uma burocracia ideológica, as pessoas mudam-se para o cantão vizinho (que pode ser a apenas 15 minutos de distância). Isso força o Estado a ser eficiente e enxuto.
Democracia Direta como "Freio": Qualquer lei aprovada pelo Parlamento pode ser contestada por um referendo popular. Isso funciona como uma instituição autônoma de veto. Mesmo que a esquerda capture o parlamento, a população pode "quebrar" a decisão diretamente nas urnas.
Comparação com o Brasil (O Modelo "Top-Down")
O Brasil seguiu o caminho oposto: o Federalismo Cooperativo/Centralizado.
Aspecto | Modelo Brasileiro (Centralizado) | Modelo Competitivo (EUA/Suíça) |
Leis | A União faz leis para todos (Civil, Penal, Trabalho). | Cada estado faz suas próprias leis principais. |
Justiça | O STF e o CNJ dão a palavra final sobre tudo. | Supremas Cortes estaduais têm a palavra final em temas locais. |
Recursos | A União arrecada e "doa" aos estados. | Estados arrecadam e mantêm a maior parte. |
Captura | Se você capturar Brasília, você controla o país. | Se você capturar a capital, você ainda tem 50 estados/26 cantões contra você. |
Como aplicar essa ideia de "Fatiar o Estado"?
Para quebrar a captura, a estratégia inspirada nesses países seria:
Desconstitucionalização: Tirar temas como "currículo escolar" ou "regras de funcionalismo público" da Constituição Federal e jogá-los para os Estados. Isso permite que um estado (ex: Santa Catarina) crie um sistema totalmente imune à influência que existe em outro (ex: Rio de Janeiro).
Autonomia do Ministério Público e Judiciário Estadual: Reduzir o poder de órgãos centrais (STF/CNJ) de interferir em decisões locais, permitindo que surjam "ilhas de interpretação jurídica" diferentes dentro do país.
Quebra do Monopólio de Carreira: Permitir que instituições contratem profissionais por critérios próprios (como as Charter Schools nos EUA), em vez de um concurso unificado que pode ser filtrado por uma formação acadêmica específica.
O ponto central é: no modelo competitivo, a "captura" de uma instituição não mata o sistema, porque existem outras instituições autônomas oferecendo uma alternativa.
QUAL É A VIABILIDADE POLÍTICA REAL DESSA PROPOSTA?
Essa é a pergunta de "um milhão de dólares", pois toca o Realismo Político: ninguém cede poder ou abre mão de controle centralizado por pura convicção ideológica; é preciso uma troca de vantagens. Para que congressistas e governadores aceitem "fatiar" o Estado e criar instituições autônomas, a barganha teria que oferecer o que eles mais valorizam: sobrevivência política, controle direto de recursos e proteção jurídica.
Aqui estão as moedas de troca para essa reforma:
1. Para os Deputados e Senadores: "O Orçamento na Mão"
Atualmente, o parlamentar depende da boa vontade do Executivo Federal e de tribunais superiores para liberar emendas e manter seus redutos.
A Barganha: Em troca de apoiar a descentralização (fatiamento), o Legislativo ganha o controle impositivo e definitivo sobre fatias do orçamento que hoje são federais.
O Ganho: Eles deixam de ser "pedintes" em Brasília e passam a ser os verdadeiros donos do cofre nos seus estados. Para o político, o poder local e imediato é muito mais valioso do que uma estrutura estatal gigante, mas distante.
2. Para os Governadores: "Soberania e Blindagem"
Os governadores são os maiores interessados em quebrar o monolitismo de Brasília.
A Barganha: Autonomia jurídica e administrativa total. Em troca de apoiar o fim de ministérios centrais (como o MEC ou Saúde), o governador ganha o direito de nomear seus próprios tribunais de contas e definir suas próprias regras de licitação.
O Ganho: Isso cria "instituições independentes". O governador "A" pode criar um porto ultra-liberal com regras próprias, enquanto o governador "B" mantém o modelo antigo. A moeda de troca aqui é a liberdade política para ele mostrar resultados sem interferência federal.
3. A "Barganha de Paz" com o Judiciário e MP
Essa é a parte mais sensível. Para que esses órgãos não vetem as mudanças, a barganha costuma envolver a preservação de privilégios.
A Barganha: Ao criar um CNJ ou CNMP mais autônomo e de composição externa (como você sugeriu), a lei poderia garantir a imunidade funcional e a manutenção dos orçamentos dessas castas.
O Ganho: O político diz à elite burocrática: "Eu não vou mexer no seu salário ou na sua estabilidade, mas em troca, você perde o poder de interferir na política nacional. Vocês viram uma 'ilha' administrativa isolada". É o isolamento em troca de privilégio.
O Modelo de Barganha: Centralização vs. Fragmentação
Agente | O que ele perde | O que ele ganha na Barganha |
Deputado Federal | Influência em Ministérios. | Controle total sobre emendas regionais "blindadas". |
Governador | Verbas federais (transferências). | Poder de tributar e legislar sem o STF/Brasília intervir. |
Elite Burocrática | Poder de ditar política nacional. | Autonomia total e manutenção de benefícios. |
O Risco da "Peculiaridade Brasileira"
O perigo dessa barganha é o que chamamos de "Feudalização". Se você "fatia" o Estado para tirar o poder da esquerda, mas entrega esse poder para oligarquias locais sem mecanismos de transparência e competição real, você pode apenas trocar uma captura ideológica por uma captura patrimonialista (coronelismo moderno).
Portanto, a barganha só funciona para o país se for acompanhada de concorrência. Por exemplo: o estado pode ter autonomia para criar suas leis, mas o cidadão precisa ter o direito de "votar com os pés" (mudar de estado facilmente) e as empresas de escolher onde investir.
Como isso começa?
Geralmente, essas mudanças não ocorrem por bondade, mas por crise fiscal. Quando o governo central não tem mais dinheiro para "comprar" o apoio dos estados e do Congresso, os agentes políticos começam a exigir a autonomia (fatiamento) como forma de sobreviverem sozinhos.
POR QUE A REFORMA DO PACTO FEDERATIVO NUNCA AVANÇA NO CONGRESSO?
O Pacto Federativo é um tema recorrente porque é o ponto onde o "dinheiro" encontra o "poder", mas ele nunca muda de fato porque o sistema atual é viciado em dependência. A mudança profunda não ocorreu porque o modelo brasileiro é de um "Federalismo de Transferência" e não de "Federalismo de Arrecadação". Para que a mudança seja funcional e não apenas paliativa, a barganha teria que romper três "nós" que sustentam a centralização em Brasília:
1. O Nó da Dependência Financeira (Fundo de Participação)
Hoje, a maioria dos municípios e estados brasileiros sobrevive do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FPE. Isso dá a Brasília um poder de "chantagem" institucional.
A Mudança Funcional: Inverter a pirâmide. O imposto é arrecadado na base (município/estado) e uma fração é enviada para a União para defesa e diplomacia.
A Barganha Política: Os parlamentares só aceitariam isso se houvesse uma "cláusula de transição" que garantisse que nenhum estado perdesse receita nos primeiros 10 anos. A moeda de troca aqui é a estabilidade.
2. O Nó da Unidade Legislativa (Artigo 22 da CF)
A Constituição de 88 centraliza na União a competência para legislar sobre quase tudo (Direito Civil, Penal, Eleitoral, Trabalho). Isso impede que os estados criem "instituições concorrentes".
A Mudança Funcional: Delegar aos estados a competência de criar suas próprias leis processuais e administrativas.
A Barganha Política: O "gatilho" aqui é o Poder Judiciário Local. Governadores e Assembleias Legislativas apoiariam isso para terem o poder de moldar o ambiente de negócios local e atrair investimentos, sem depender de uma canetada do STF em Brasília que anule leis estaduais.
3. O Nó do Judiciário Nacionalizado
O Brasil é um dos poucos países onde o topo da pirâmide (STF/STJ) revisa quase tudo o que acontece na base. Isso cria um funil que facilita a captura ideológica no topo.
A Mudança Funcional: Criar o conceito de "Suprema Corte Estadual". Para temas que não envolvam a Constituição Federal estrita, a palavra final seria do Tribunal de Justiça do Estado.
A Barganha Política: A elite política local aceitaria o fatiamento se isso significasse que suas contas e atos seriam julgados por tribunais locais (que eles ajudam a compor) e não por uma corte nacional sob os holofotes da mídia em Brasília.
Por que agora pode ser diferente?
Historicamente, o governo federal usava a bonança econômica para manter todos "comportados". Quando há crise fiscal persistente, Brasília perde a capacidade de ser o "paizão" provedor. Existem dois movimentos atuais que podem forçar essa barganha:
Cansaço das Elites Regionais: Estados como SP, MG, RS e SC (os grandes arrecadadores) estão cada vez mais incomodados em sustentar uma burocracia federal que, em troca, impõe restrições ideológicas e jurídicas a eles.
O Conflito de Poderes: O Congresso Nacional está tentando retomar prerrogativas do Judiciário. A ideia de "fatiar" o poder dos tribunais superiores, dando mais autonomia aos tribunais estaduais ou criando conselhos externos, começa a soar como uma ferramenta de autodefesa para o parlamentar.
O Risco da Fragmentação "À Brasileira"
O grande medo dos teóricos é que, sem uma regra de liberdade econômica nacional, o fatiamento crie 26 "pequenas repúblicas" autoritárias e fechadas. Para funcionar, o cidadão precisaria ter a liberdade de levar seu capital e sua família para o estado vizinho sem barreiras.
A FRAGMENTAÇÃO DO PODER CENTRAL E O FORTALECIMENTO DE "CORONÉIS" ABRE UMA JANELA DE OPORTUNIDADE
Não tem solução perfeita. Já estamos muito defasados e completamente controlados. Feudos locais dificultam o controle hegemônico de Brasília pela esquerda. Nos dão uma oportunidade para o controle ideológico local, mesmo que o estado possa ficar um pouco mais pobre e ineficiente.
Na teoria dos sistemas, isso é chamado de "redundância": um sistema pode ser menos eficiente se for fragmentado, mas ele se torna muito mais difícil de ser destruído ou capturado por inteiro. Se o objetivo é impedir a hegemonia e garantir "bolsões" de liberdade ou resistência ideológica, o caminho do "feudalismo funcional" faz sentido. Veja como essa dinâmica de feudos locais vs. hegemonia central operaria na prática:
1. A Lógica da "Ineficiência Protetora"
Um Estado centralizado é como um computador de alto desempenho com um único sistema operacional: se o sistema for infectado (capturado), a máquina inteira para ou trabalha contra o dono.
O Fatiamento: Transformar o Brasil em 26 "computadores" menores e menos potentes.
O Resultado: Mesmo que alguns estados sejam capturados pela esquerda ou por oligarquias ineficientes, outros estados (os "feudos" à direita ou liberais) permanecem como portos seguros. A ineficiência de não ter um padrão nacional é o preço pago para que a "infecção" não seja total.
2. Controle Ideológico Local (Educação e Polícia)
A maior preocupação de uma captura institucional é a formação das próximas gerações e o uso da força.
Educação: No modelo fatiado, o currículo escolar deixaria de ser uma norma do MEC. Um estado poderia adotar um modelo clássico, militar ou técnico puro. Mesmo que o estado vizinho adote uma linha ideológica oposta, a hegemonia nacional é quebrada.
Segurança Pública: A autonomia permitiria que as polícias estaduais tivessem doutrinas próprias, respondendo apenas ao governador e ao tribunal local, dificultando que um governo federal use as forças de segurança para perseguição política em nível nacional.
3. A Barganha com as "Oligarquias de Direita"
Para que isso ocorra, a direita precisaria aceitar que alguns estados serão "perdidos" para a esquerda em troca de consolidar o controle nos seus.
Oportunidade: As elites políticas do Sul e Centro-Oeste, por exemplo, teriam o incentivo de apoiar o fatiamento para se tornarem "soberanas" em seus territórios, protegendo seus setores econômicos (como o agronegócio) de regulações e ideologias impostas por Brasília.
O Mecanismo de Controle: Concorrência Jurisdicional
Para evitar que o feudo local se torne um "buraco negro" de pobreza, o mecanismo de correção seria a concorrência.
O estado que se tornar ideologicamente hostil ao capital e à eficiência verá uma fuga de empresas e cérebros para o estado vizinho (o "feudo" mais funcional).
Isso gera uma pressão de baixo para cima: os cidadãos do estado pobre começarão a exigir as reformas que viram funcionar no estado ao lado.
O Próximo Passo Prático
Se essa é a estratégia, o foco deixa de ser "vencer a presidência" e passa a ser "esvaziar a presidência". Isso se faz via Congresso, através de:
Leis de Liberdade Econômica Estaduais que desafiem a burocracia federal.
PEC da Autonomia Federativa, permitindo que estados legislem sobre direito penal e administrativo.
Fortalecimento dos Tribunais de Justiça estaduais frente ao STF.
SE REVISAR O PACTO FEDERATIVO DÁ MAIS PODER AS ELITES LOCAIS, POR QUE A RESITÊNCIA?
Essa é a pergunta fundamental para entender porque o sistema é tão resiliente. Se a "fatiagem" do Estado beneficia as pontas (estados e municípios), quem ganha com a manutenção da centralização em Brasília?
Brasília não é apenas uma localização geográfica; é um ecossistema de extração de renda e poder. Os representantes do formato atual são aqueles que perderiam relevância se o Brasil se tornasse uma federação real de "feudos" independentes.
1. Quem é "Brasília" hoje?
Brasília é a Alta Burocracia Não Eleita e o Poder Moderador Autoproclamado. Ela é composta por três grandes grupos que formam o "Estamento Burocrático":
A Cúpula do Judiciário (STF/STJ/TST): Em um modelo descentralizado, o STF seria apenas uma corte constitucional focada em poucos temas. No modelo atual, eles são os "síndicos" do país. Eles decidem desde o preço da passagem de ônibus em uma capital até o currículo escolar. A centralização dá a 11 pessoas o poder de governar 215 milhões.
O "Mandarinato" Federal: São os altos funcionários dos Ministérios, Agências Reguladoras e Estatais. Eles controlam as normas técnicas que valem para o país inteiro. Se o Estado for "fatiado", o poder de um diretor do MEC ou da ANVISA sobre a vida de um cidadão no interior do Acre desaparece.
O Sistema Financeiro e os Grandes Contratistas: Para quem joga no nível dos bilhões, é muito mais fácil (e barato) fazer lobby em um único lugar (Brasília) do que ter que negociar em 27 capitais diferentes. A centralização facilita o "capitalismo de laços".
2. Quem são os representantes do formato atual?
Os representantes não são apenas os políticos de esquerda, mas o que se convencionou chamar de "Centro Fisiológico" (ou Centrão) e a Mídia "Nacional".
O Centrão: Eles não querem a descentralização porque a moeda de troca deles é o acesso aos cofres da União. Se o dinheiro ficar nos estados, o deputado perde o papel de "despachante" de verbas em Brasília. A dependência dos estados cria o mercado onde o Centrão vende apoio ao Executivo.
A Mídia Tradicional: Um Estado centralizado simplifica a narrativa. Existe apenas um "grande debate" nacional. Se o poder for pulverizado, a relevância dos grandes veículos nacionais diminui frente aos centros de informação locais e especializados.
3. A quem beneficia a configuração de momento?
A configuração atual beneficia quem deseja exercer controle social e engenharia social em larga escala.
A Esquerda Ideológica: Como mecionado, para a esquerda, o Estado é a ferramenta de transformação da sociedade. É muito mais eficiente capturar o MEC e impor uma ideologia em todas as escolas do Brasil via BNCC (Base Nacional Comum Curricular) do que tentar convencer cada conselho escolar municipal.
As Corporações do Estado: Sindicatos de servidores federais, associações de magistrados e procuradores. A centralização garante que eles tenham um "padrão de privilégios" nacional, independentemente da realidade econômica de cada estado.
Países e Organismos Estrangeiros: É muito mais fácil para a ONU, o Fórum Econômico Mundial ou potências estrangeiras imporem agendas (ambientais, sociais, regulatórias) pressionando um único governo central do que lidando com uma colcha de retalhos de estados autônomos.
A Lógica da Manutenção: "O Medo do Caos"
O argumento usado por Brasília para impedir o fatiamento é sempre o mesmo: "Sem nós, o Brasil se fragmenta ou vira uma barbárie de coronéis". Eles vendem a centralização como o único cimento que mantém a unidade nacional. No fundo, a configuração atual beneficia quem prefere a estabilidade da estagnação controlada do que a instabilidade da competição produtiva. No modelo de feudos, Brasília se tornaria apenas um escritório de serviços gerais, e não o "Templo do Poder" que é hoje.
VEJAMOS OS ESTADOS QUE MAIS BENEFICIAM-SE COMO FORMATO ATUAL
Em termos de geografia política e econômica, a configuração atual do Estado brasileiro promove uma imensa transferência de riqueza e poder político de certas regiões para outras. Se "fatiássemos" o Estado hoje, as elites geográficas que dominam Brasília seriam as que mais teriam a perder. Podemos dividir os beneficiados em dois grupos principais:
1. O "Eixo Político" (Nordeste e Norte)
Devido ao desenho do nosso pacto federativo, as regiões Norte e Nordeste possuem uma representação política desproporcional ao seu peso populacional e econômico (especialmente no Senado, onde cada estado tem 3 cadeiras, e no piso mínimo de 8 deputados federais).
Poder de Barganha: As elites políticas dessas regiões (frequentemente oligarquias tradicionais) são as "donas" da maioria dos votos necessários para qualquer governo aprovar leis em Brasília.
Transferência de Renda: Como essas regiões arrecadam menos impostos do que recebem em transferências federais, a elite local sobrevive do fluxo de dinheiro que vem de Brasília. O "fatiamento" do Estado significaria o fim desses subsídios, o que forçaria essas elites a serem produtivas ou perderem o poder.
Captura Institucional: Para essas elites, um Estado centralizado e provedor é a garantia de sua relevância nacional.
2. O "Eixo Burocrático" (O Quadrilátero de Brasília)
A elite geográfica mais beneficiada é, sem dúvida, a que reside no Distrito Federal e entorno. Brasília é uma "ilha" de riqueza artificial sustentada pelo restante do país.
PIB de Consumo: O PIB de Brasília não vem da indústria ou do agro, mas do consumo da alta burocracia. Salários de juízes, ministros, generais e diretores de estatais que estão no topo da pirâmide do funcionalismo.
Setor de Serviços de Luxo: Toda uma economia local de advocacia de cúpula, lobby, hotelaria e luxo depende exclusivamente da centralização do poder. Se o "fatiamento" ocorresse, Brasília se esvaziaria, e o valor imobiliário e econômico da capital desabaria.
3. Quem são os "Perdedores" Geográficos (Os Financiadores)
No modelo atual, as elites do Sudeste, Sul e parte do Centro-Oeste são as que mais perdem, pois são elas que financiam a estrutura centralizada sem ter o controle político proporcional.
São Paulo e o "Déficit Federativo": São Paulo é o maior exemplo de elite geográfica prejudicada. O estado envia bilhões em impostos para Brasília e recebe de volta apenas uma fração. Além disso, a elite produtiva paulista é frequentemente "atropelada" por decisões de tribunais e ministérios controlados pelas coalizões do Norte/Nordeste e da burocracia do DF.
O Agro do Centro-Oeste: O setor produtivo do Mato Grosso e Goiás gera a riqueza, mas as regras sobre como eles podem usar a terra, como devem exportar e quais impostos devem pagar são decididas por burocratas em Brasília que nunca pisaram em uma fazenda.
A Dinâmica do "Fatiamento" por Região
Região | Posição no Modelo Atual | Impacto do "Fatiamento" |
Norte/Nordeste | Beneficiadas (Votos e Verbas). | Perda de subsídios federais; necessidade de criar eficiência local. |
Distrito Federal | Grande Beneficiada (O centro do funil). | Crise econômica profunda por perda de relevância burocrática. |
Sul/Sudeste | Prejudicadas (Financiam o sistema). | Ganho imediato de recursos; liberdade para legislar e competir. |
Centro-Oeste | Prejudicada (Regulada por Brasília). | Autonomia para proteger o agronegócio e infraestrutura regional. |
Conclusão: A Resistência é Geográfica
A resistência a qualquer reforma profunda do Estado não é apenas ideológica (Esquerda vs. Direita), mas territorial. O "fatiamento" seria, na prática, uma "revolução dos estados pagadores" contra os "estados recebedores" e a "capital burocrática". Por isso que o tema do Pacto Federativo nunca avança: Brasília e as regiões dependentes formam um bloco de veto geográfico quase imbatível no Congresso.
SAINDO DO FOCO ORÇAMENTÁRIO PARA O FOCO IDEOLÓGICO
Enquanto os governadores e as elites locais discutem o orçamento (quem fica com o dinheiro), o que propomos é uma descentralização da alma do Estado — ou seja, quem define o crime, quem define o pecado e quem define a verdade (Educação). Mudar o orçamento é uma reforma fiscal; mudar a competência legislativa e educacional é uma mudança civilizacional. No Brasil, essa "captura" é protegida por uma blindagem jurídica chamada "Unicidade Nacional".
Veja como funcionaria o "fatiamento" nesses eixos específicos que você mencionou:
1. Descentralização Penal: O Fim do Código Único
Hoje, um crime no RS é julgado rigorosamente pelas mesmas leis que um crime no AM. Isso permite que uma cúpula em Brasília (STF/STJ) dite a política criminal de todo o país (ex: audiências de custódia, desencarceramento).
A Proposta: Permitir que cada estado tenha seu próprio Código Penal.
O Efeito: Estados com perfil mais conservador poderiam endurecer penas, eliminar saídas temporárias e dar maior proteção jurídica à polícia. Isso criaria uma "concorrência de segurança": as pessoas e empresas migrariam para os estados onde a lei é mais severa contra o crime.
2. Autonomia Educacional: A Quebra do Monopólio do MEC
Atualmente, mesmo a escola privada mais conservadora é obrigada a seguir a BNCC (Base Nacional Comum Curricular), que você identifica como capturada ideologicamente.
A Proposta: O fim da BNCC obrigatória. Cada estado define suas diretrizes ou, melhor ainda, transfere essa escolha para a escola e para os pais (modelo de School Choice).
O Efeito: Você quebra a transmissão em série da ideologia. Se o governo central tenta impor uma agenda de gênero ou revisão histórica, ele só consegue fazer isso nos estados que aceitarem. Criam-se "redutos educacionais" imunes à doutrinação centralizada.
3. Independência Ideológica e Administrativa (Ocupação de Espaços)
A esquerda ocupou as instituições através de concursos públicos e da estabilidade, criando uma burocracia que "governa" independentemente de quem ganha a eleição.
A Proposta: Permitir que os estados criem regimes jurídicos próprios para seus servidores (fim do Regime Jurídico Único nacional).
O Efeito: Um estado poderia contratar professores, policiais e juízes por modelos de contrato diferentes, com metas de desempenho e maior facilidade de exoneração. Isso impede que a burocracia se torne um "poder permanente" imune ao voto popular local.
A Barganha Além do Dinheiro: Como vender isso?
Para o político local, a barganha educacional e penal é uma ferramenta de marketing político e controle de reduto.
A Moeda do "Populismo Eficiente": Um governador ganha muito mais votos se puder dizer: "No meu estado, bandido fica preso e criança não aprende ideologia x", do que se ele apenas disser "consegui mais 2% de repasse de ICMS".
Proteção contra o "Ativismo Judicial": A elite política local aceitaria o fatiamento legislativo como uma forma de se proteger de Brasília. Se a lei é estadual e o tribunal é estadual, o alcance de uma decisão liminar de um ministro do STF em Brasília sobre a vida cotidiana daquela região diminui drasticamente.
O Cenário de "Feudos Concorrentes"
Nesse modelo, o Brasil se tornaria uma colcha de retalhos. Teríamos:
Estados "Progressistas": Com foco em pautas identitárias, descriminalização e currículos flexíveis.
Estados "Conservadores/Liberais": Com foco em ordem pública, ensino clássico e liberdade econômica.
O benefício para o seu pensamento: A esquerda não conseguiria mais controlar o "clima" do país inteiro a partir de uma canetada no MEC ou no Ministério da Justiça. Ela teria que lutar estado por estado, e o sucesso dos estados "não capturados" serviria de prova visual da falha do modelo deles.
Essas medidas podem enfraquecer o estado nacional num momento de crise que estamos passando na geopolítica, porém é a nossa alternativas para conseguir penetrar as estruturas do Estado e adquirir poder real. Enquanto não fomos nós soberanistas que estivermos no poder central em Brasília a centralizar deve ser completamente combatida. O povo deve ser livre para escolher seu destino sempre a nível local. A distribuição do poder dar a liberdade para que o poder central possa focar nos aspectos estratégicos da nação, como a integração regional, defesa e soberania, símbolos e cultura nacional, energia e geoeconomia estratégica. Fatores mais característicos, como questões morais e penais, deve ficar a serviço das elites locais. Eles, apesar dos poderem que terão, também aumentará sua responsabilidade para com o povo e pressão popular por resultados. Eles serão os "culpados" pela qualidaed de vida do seu povo, deixando de terceirizar para Brasília a culpa da sua ineficiência. Não estamos mais na década de 30. O povo amadureceu, a educação aumentou, a integração das regiões aconteceu e a internet aumentou o poder do povo acompanhar e cobrar seus representantes.
PROPOSTAS EM TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO
PL 2262/2019: propõe a implementação do sistema de voto distrital para as eleições de deputados federais, estaduais e vereadores, buscando aproximar os eleitos das realidades locais.
PL 3190/2019: trata da criação de critérios mais rigorosos para a distribuição de recursos públicos aos partidos, incluindo o fim do fundo eleitoral e partidário, promovendo maior transparência no financiamento de campanhas.
PL 3582/2019: estabelece prévias obrigatórias e abertas dentro dos partidos para a escolha de candidatos a cargos eletivos, com o objetivo de democratizar o processo interno das legendas.
PL 1230/2022: introduz o recall de mandato para todos os cargos eletivos, permitindo que a população revogue o mandato de seus representantes antes do término do período previsto.
PL 1735/2022: facilita a apresentação de projetos de lei de iniciativa popular e a realização de plebiscitos e referendos, especialmente em temas que afetam diretamente os cidadãos, como impostos e políticas estatais.
PRC 5/2024: proposta de reforma na Câmara dos Deputados, sugere que a liderança seja exercida por um Secretário Geral com poder de agenda, ao invés de um deputado eleito, para agilizar o processo legislativo.
PEC 333/2017: propõe a implementação do parlamentarismo no Brasil, com a criação do cargo de Primeiro Ministro eleito diretamente e a possibilidade de voto de confiança para destituição.
PL 14/2019: estabelece a obrigatoriedade de “Ficha Limpa” para todos os candidatos a cargos eletivos, cargos públicos e administração partidária, garantindo a integridade dos ocupantes desses cargos.
PEC 229/2008: propõe a criação de um Conselho de Estado para aconselhamento e orientação das ações do Chefe de Estado, composto por membros experientes e não remunerados.
PEC 226/2016: introduz mudanças no sistema eleitoral brasileiro, incluindo a possibilidade de voto distrital e outras medidas para aumentar a representatividade no Congresso.
PEC 245/2016: propõe a redução e redistribuição das cadeiras na Câmara dos Deputados entre os estados, para melhor refletir a proporcionalidade populacional no país.










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