COMO SER UM COSERVADOR REAL SEM PRECISAR SER CRENTE
- sryuann
- 16 de dez. de 2025
- 9 min de leitura

Existe uma grande confusão entre ser um conservador e ser um moralista, fanático e puritano. Nós vamos abordar que o conservadorismo brasileiro real, encontrado no dia-a-dia do cidadão comum, está muito longe de ser uma cartilha religiosa e moral. A diferença principal entre ser conservador e ser moralista reside no escopo, na motivação e na aplicação das ideias.
O que é ser conservador?
O conservadorismo é uma posição política e filosófica que defende a preservação de instituições, tradições, hierarquias sociais e valores estabelecidos ao longo do tempo, por considerá-los testados e eficazes para a estabilidade da sociedade.
Características comuns incluem:
Valorização da ordem social e moral duradoura (muitas vezes ligada a raízes cristãs no Ocidente).
Prudência diante de mudanças radicais.
Ênfase em liberdade econômica e política, mas com limites baseados em costumes tradicionais.
Rejeição a utopias ou reformas abruptas.
Não é necessariamente rígido em todos os aspectos morais; pode haver variações, como conservadores mais liberais economicamente ou culturais. O foco está na continuidade histórica e na "ordem natural" das coisas, não apenas em julgar indivíduos.
O que é ser moralista?
O moralismo refere-se a uma atitude que enfatiza excessivamente a moralidade, frequentemente julgando o comportamento alheio de forma rígida, hipócrita ou impositiva.
Características comuns incluem:
Foco em regras morais pessoais ou sociais.
Condenação de desvios (como em questões de sexualidade, hábitos etc.).
Às vezes, criação de normas próprias para se sentir superior.
O moralista tende a ser mais individual ou discursivo: prega normas que nem sempre pratica, e usa a moral como ferramenta de julgamento ou controle social. Pode ser conservador ou não (há moralismo progressista, por exemplo, em causas como ecologia ou igualdade radical).
A diferença principal está na dosagem, assim como entre o veneno e o remédio. Como acontece no Irã com regras absoluta e fundamentalistas sobre o comportamento das pessoas, sobretudo das mulheres. Assim como já teve em algumas epócas na história ocidental. Esse conservadorismo que estou abordando aqui é o conservadorismo prático e adaptado a nossa cultura, costumes e período histórico.
Principais diferenças
Escopo — Conservadorismo é amplo (político, social, econômico); moralismo é mais estreito (focado em conduta moral pessoal ou alheia).
Motivação — O conservador busca preservar uma ordem social comprovada pela história; o moralista busca impor ou julgar com base em uma visão de "certo e errado" (muitas vezes rígida ou seletiva).
Aplicação — Conservadores defendem tradições institucionais (família, religião, hierarquia); moralistas são mais propensos a criticar indivíduos por "imoralidades" específicas, mesmo que isso não afete a estrutura social.
Sobreposição — Muitos conservadores têm posições morais fortes (especialmente em "costumes"), o que os faz parecer moralistas. No entanto, nem todo conservador é moralista (pode ser pragmático), e nem todo moralista é conservador (pode criticar tradições em nome de uma "moral superior").
Em resumo, o conservadorismo é uma visão de mundo sobre como organizar a sociedade; o moralismo é uma postura de julgamento moral excessivo. Um conservador pode usar argumentos morais, mas seu objetivo é a estabilidade coletiva, não necessariamente a "pureza" individual.
ESSA POSÇÃO PARECE UM PARADOXO, MAS NÃO É. VEJA SE VOCÊ JÁ É UM CONSERVADOR.
Essa posição "pragmática" seria uma variação do conservadorismo tradicional, inspirada em valores morais derivados de tradições judaico-cristãs (especialmente católicas) de nossa civilização ocidental, mas sem a obrigatoriedade de práticas religiosas formais, como ir à missa, rezar diariamente ou seguir rituais eclesiais. A coerência vem de uma base filosófica que prioriza a "ordem natural" da sociedade, a estabilidade familiar e social, e uma crença em um Deus criador, sem dogmas estritos ou puritanismo comportamental em questões secundárias.
Essa ideologia não é puramente secular (pois rejeita o ateísmo e esquerdismo woke), mas também não é religiosa no sentido devoto. É como um "católico cultural" ou "cristão nominal": a pessoa acredita em Deus e adere a princípios morais herdados do cristianismo, mas vive de forma descontraída, sem fanatismo ou hipocrisia religiosa. A motivação principal não é o medo do pecado eterno ou a salvação espiritual apenas, mas a preservação de uma sociedade funcional, baseada em normas testadas pelo tempo, que evitam o caos moral ou social. Partindo da primissa que devemos seguir os mandamentos divinos, e tentar cumprir os ensinamentos e exemplo de Jesus na medida de nossas possiblidades.
Você ver esse fenômeno em muitas pessoas que indentificam-se "sem religião" ou são "católico ou não-praticante" ou evangélico "desigrejado". Pessoas que fazem o seu melhor no dia-a-dia para viver respeitando o próximo, amando e respeitando sua família e seguindo as leis.
Pilares Ideológicos Coerentes
Para tornar isso uma posição consistente, podemos estruturá-la em pilares principais, com justificativas lógicas que evitam contradições internas. O foco é em uma moralidade pragmática e cultural, não em teologia profunda.
Crença em Deus como Fundamento Ontológico (Não Ateísmo):
Posição: A pessoa deve acreditar em um Deus criador ou força superior, mas sem necessidade de culto ativo ou interpretação literal da Bíblia. Isso serve como âncora para uma "ordem moral natural" – a ideia de que o universo tem um design intencional de Deus, com papéis definidos para homens, mulheres e família.
Justificativa Coerente: Rejeitar o ateísmo evita o niilismo (viver sem limites e acreditar na vida e nas pessoas) ou relativismo moral absoluto (onde "tudo é permitido"). Em vez disso, Deus é visto como uma premissa filosófica para valores objetivos, semelhante ao que filósofos como Edmund Burke (pai do conservadorismo) defendiam: tradições baseadas em uma sabedoria acumulada, influenciada por herança divina, mas sem fanatismo.
Limites: Não ser ateu não implica ser "crente praticante". É a constatação deexistem várias formas das pessoas viverem sua fé e experiência com Deus.
Valores Morais Centrais: Foco na Integridade Pessoal e Social (Não Roubar, Matar, Mentir, Adúltero):
Posição: Adesão estrita a mandamentos básicos como honestidade, não-violência, fidelidade conjugal e respeito à vida (oposição ao aborto). Isso inclui rejeitar adultério como traição à família, e ver o aborto como violação da vida inocente.
Justificativa Coerente: Esses valores são vistos como pilares da coesão social, não como mandamentos divinos impostos diratamente. Roubar ou mentir erode a confiança comunitária; assassinato destrói a ordem; adultério fragiliza a família (núcleo da sociedade conservadora). São regras "naturais" para uma vida estável, inspiradas no Decálogo católico, mas aplicadas pragmaticamente – como normas evolutivas que beneficiam a sobrevivência coletiva.
Exemplo Prático: Um "católico não praticante" que não vai à igreja, mas evita mentir em negócios por ver isso como autodestrutivo e socialmente corrosivo.
Rejeição a Questões de Gênero e Sexualidade Não Tradicionais (Não Defender Homossexualismo ou Ideologia de Gênero):
Posição: Oposição à homossexualidade como norma social (não necessariamente perseguindo indivíduos, mas rejeitando casamentos ou adoções gays), e à ideologia de gênero (visão de que gênero é fluido ou socialmente construído). Manter papéis tradicionais de homem e mulher.
Justificativa Coerente: Baseado em uma visão biológica e cultural de "ordem natural": a família heteronormativa é o modelo testado para procriação e estabilidade social. Não é puritanismo religioso, mas realismo evolutivo – sociedades que preservam isso prosperam mais, evitando confusão identitária ou declínio demográfico. Isso alinha com conservadores seculares como Roger Scruton, que defendem tradições sem apelar diretamente a Deus.
Nuance: Tolerância pessoal (não julgar amigos gays), mas oposição política (contra leis que promovam essas ideias como equivalentes).
Liberdade em Comportamentos Secundários (Shorts, Cerveja, Palavrões, Farra):
Posição: Permitir vestimentas casuais (como shorts), consumo moderado de álcool, uso de palavrões em contextos informais e participação em festas ou diversões sociais.
Justificativa Coerente: Esses não afetam a "ordem moral central". São expressões de liberdade individual que não ameaçam a família ou sociedade. O conservadorismo aqui é pragmático: valoriza a tradição, mas não o fanatismo. Beber cerveja pode ser visto como parte de rituais culturais (como festas tradicionais), e palavrões como desabafo humano, desde que não violem respeito básico. Isso diferencia de moralismo puritano, focando no que realmente importa para a estabilidade e a boa convivência.
Limites: Moderação é chave – farra sim, mas sem levar a adultério ou violência.
Coerência Geral e Diferenças de Outras Ideologias
Por Que Coerente?: A ideologia une crença mínima em Deus (para moral objetiva) com valores morais seletivos (focados em integridade e família) e liberdade em áreas periféricas. Evita hipocrisia ao não exigir perfeição religiosa, mas mantém barreiras contra o "progressismo relativista". É como um conservadorismo "light" ou "cultural", inspirado no catolicismo latino-americano, onde a fé é hereditária, mas a prática é flexível.
Diferenças:
De Conservadorismo Religioso: Não exige igreja ou oração; foca em resultados sociais, não salvação.
De Liberalismo: Rejeita relativismo moral em gênero/aborto, priorizando tradição.
De Moralismo: Não julga comportamentos triviais; é tolerante com "pecados leves" como beber ou xingar, que é proibidos em muitas igrejas.
De Ateísmo: Exige crença em Deus para ancorar moralidade, evitando puro materialismo.
Em resumo, essa posição seria um conservador que vive "normalmente" – bebe com amigos, usa roupas casuais, solta um palavrão no trânsito –, mas vota contra leis de aborto ou casamento gay, educa filhos em valores tradicionais e acredita em Deus como base filosófica. É viável em contextos como o Brasil, onde o catolicismo cultural é comum, permitindo uma vida descontraída sem abandonar raízes morais. Esse é o nosso conservadorismo real, humano e possível para a maioria das pessoas.
VEJA EXEMPLOS REAIS DE COMO ESSE CONSERVADORISMO MANIFESTA-SE E PORQUÊ TEM COERÊNCIA, MESMO QUE A PRIMEIRA VISTÁ NÃO.
Sim, essa posição que descrevemos é perfeitamente viável e, na prática, já existe em muitos lugares — especialmente no Brasil e em países de tradição católica. Ela tem até nomes informais ou descrições que capturam bem essa nuance.
O "católico não praticante" clássico (mas com limites morais claros):
É o perfil mais comum no Brasil: batizado, crê em Deus, respeita os "mandamentos grandes" (não matar, não roubar, não adulterar, não mentir gravemente), mas não vai à missa todo domingo, bebe cerveja no bar com os amigos, usa short e chinelo no fim de semana, solta um palavrão quando o time perde, e curte uma farra ou churrasco até tarde.
Ele rejeita o aborto ("é matar uma criança"), o adultério ("traição destrói família"), e acha a ideologia de gênero "confusão na cabeça das crianças". Quanto à homossexualidade, pode variar de "cada um na sua" (tolerância pessoal) até "não é o certo, mas não vou perseguir ninguém" (oposição ideológica sem ódio).
Não é ateu: acredita em Deus, talvez reze em momentos difíceis, mas não vive "na igreja".
Exemplos históricos ou figuras públicas que se aproximam disso:
Olavo de Carvalho (em alguns aspectos): fumante, bebia, usava linguagem forte, vivia de forma boêmia em certos períodos, mas era ferozmente contra aborto, ideologia de gênero, e defendia valores cristãos como base da civilização — mesmo sem ser um devoto praticante no sentido convencional.
Jair Bolsonaro (em parte do seu perfil público inicial): militar, linguagem direta (muitos palavrões), gostava de cerveja e churrasco, imagem de "homem comum", mas com discurso duro contra aborto, ideologia de gênero e "kit gay", e apelando constantemente a "Deus acima de todos" — sem ser um católico ou evangélico de missa/diário. Mesmo com seus divórcios.
Muitos intelectuais conservadores europeus do século XX: como Roger Scruton (anglicano cultural, bebia vinho, vivia sofisticadamente, mas defendia casamento tradicional, família e ordem moral cristã sem ser praticante devoto) ou até Chesterton em sua fase mais jovem (antes de se converter profundamente).
No dia a dia brasileiro:
O cara que vai ao carnaval, bebe com os amigos, usa bermuda o ano todo, xinga o governo no bar, mas:
Se orgulha de ser fiel à esposa.
Educaria o filho dizendo que "menino é menino, menina é menina".
Diria que aborto só em caso extremo (ou nenhum).
Reza um pai-nosso quando o avião balança.
Isso é tão comum que nem tem nome específico — é simplesmente o "conservadorismo popular brasileiro" ou "direita não religiosa, mas de valores cristãos".
Por que isso é coerente e sustentável?
Porque não exige perfeição hipócrita. A pessoa não precisa fingir santidade para defender que certas linhas não podem ser cruzadas (vida, família nuclear, fidelidade). Ela separa claramente:
Pecados/behaviores "leves" ou culturais (beber, xingar, curtir a vida) → permitidos, até saudáveis em moderação.
Violações graves da ordem natural e social (aborto, adultério, negação da diferença sexual) → inaceitáveis.
No fim, é um conservadorismo "de carne e osso", vivido por milhões, que não precisa de igreja lotada nem de puritanismo para se sustentar. É uma posição autêntica, prática e, sim, perfeitamente possível de se viver sem contradição interna.
Vale ressaltar que essa análise do conservadorismo que fizemos é do ponto de vista ideológico, político e sociológico. É uma forma de observar a coerência entre muitas práticas que, à primeira vista, não parecem conservadoras. Não tem nada a ver com religião ou fé. Nesse caso, você deve seguir os dogmas de sua fé para alcançar o objetivo da salvação. Se sua igreja proíbe palavrão, você precisa não xingar para ser salvo. Mas, se você xinga e não crê em religião para ser salvo, isso não o torna um liberal esquerdista, pois, como mostramos acima, sua posição político-ideológica conservadora não tem nada a ver com religião ou com a forma como você enxerga a vida após a morte. Em um extremo, você pode ser ateu e conservador, pode ser homossexual e conservador, pode ser boêmio e conservador. Nesse caso, não se refere ao que você quer para sua vida pessoal ou espiritual, mas ao formato de sociedade que você acredita ser próspera, estável e que já foi validada ao longo do tempo.










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